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  • André Martins

Safra de café do Brasil recebe uma queda de 25%

O Brasil, maior produtor mundial de grãos de café, viu sua safra cair um quarto no ano passado.


Para cerca de um bilhão de pessoas em todo o mundo, beber café é um regime diário.


No entanto, o que muitos amantes de café podem não saber é que muitas vezes estão bebendo uma bebida feita, pelo menos em parte, de grãos brasileiros.

"Os grãos brasileiros têm características populares, são conhecidos por seu corpo e doçura", diz Christiano Borges, chefe da maior produtora do país, a Ipanema Coffees. "Por isso, muitos blends de café no mundo usam nosso café como base."


O Brasil é de longe o maior produtor mundial de grãos de café. É responsável por mais de um terço de todos os suprimentos globais, ou 37% em 2020, para ser exato. Em segundo lugar está o Vietnã com 17% dos suprimentos.


Cerca de 70% das plantas de café do Brasil são da espécie arábica de alto preço, usada no café fresco. Os 30% restantes são robusta, que é usada principalmente para café instantâneo.


O problema para o Brasil, e para a oferta mundial de café em geral, é que no ano passado a safra anual do país caiu quase um quarto devido a uma seca em sua principal região cafeeira, que se concentra nos estados do sudeste de Minas Gerais, São Paulo e Paraná.


O efeito indireto foi uma redução global na oferta de grãos de café e uma subsequente duplicação dos preços no atacado desde o ano passado.


Para tentar aliviar qualquer queda futura na produção, os maiores produtores de café do Brasil estão cada vez mais recorrendo à tecnologia para ajudá-los a cultivar e processar com sucesso a melhor safra possível, tanto em termos de tamanho quanto de qualidade.


Uma dessas empresas, a Okuyama, diz que agora está investindo pelo menos 10% de sua receita em tecnologia.


Sua equipe usa um aplicativo de computador chamado Cropwise Protector, fabricado pela empresa de tecnologia agrícola suíça-chinesa Syngenta.


Ligada a sensores de solo e imagens de satélite, a ferramenta oferece aos trabalhadores da fazenda uma análise visual da fazenda, ou plantação, em um tablet ou laptop.


Eles podem então aplicar rapidamente coisas como irrigação por gotejamento ou controle de pragas a uma área muito específica que possa precisar, em vez de um campo inteiro ou de toda a fazenda.


A ideia é que essa abordagem muito mais direcionada seja muito mais rápida e mais gentil com o meio ambiente.

Okuyama seca alguns de seus grãos de café em aquecedores de tambor após a colheita, para evitar que estraguem enquanto são armazenados antes de serem torrados. Acertar a temperatura e o tempo é essencial para evitar o desperdício, tanto de grãos quanto de energia usada para alimentar os aquecedores.


Na Ipanema Coffees, que tem 4.300 hectares de plantações em três locais em Minas Gerais, Borges diz que também caiu muito na rota tecnológica nos últimos anos.


"Fizemos um grande investimento em irrigação semiautomática, onde o sistema mede o déficit hídrico e as condições climáticas - nos dando recomendações para cada área."


Ele acrescenta que os investimentos estão ajudando a empresa a reduzir o impacto das mudanças climáticas. "Temos problemas climáticos como secas e aumento da temperatura global.


A Ipanema diz que também possui rastreadores em todos os seus tratores para medir a produtividade. "Isso nos ajuda a monitorar pragas agrícolas, usando apenas um tablet", diz Gustavo Michalski, coordenador agrícola da empresa.


Flora Viana, gerente global de marketing para agricultura digital da Syngenta, diz que os produtores de café do Brasil “não podem mais aumentar sua produtividade apenas comprando mais terras”.

"Estamos atingindo o limite de áreas disponíveis", acrescenta ela,

_"Os produtores precisam otimizar seu processo de produção".

No entanto, Borges acrescenta que a tecnologia depende de uma equipe treinada.

_"De nada adianta ter uma grande ferramenta se não tivermos uma equipe motivada e preparada para eles."

No entanto, esse aumento do uso da tecnologia não é universal entre os produtores de café do Brasil.


Embora tenha sido adotado pelos grandes players da indústria, como Ipanema e Okuyama, a miríade de pequenos produtores que produzem 66% da safra do país está atrasada.

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