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  • André Martins

Indignação no Brasil porque Jair Bolsonaro evita cinco acusações relacionadas à resposta à Covid

Senadores pedem investigação sobre procurador-geral após acusações contra presidente arquivadas

Lenços brancos representando pessoas que morreram de Covid-19 no Brasil pendurados em um campo em Brasília. (Fotografia: Eraldo Peres/AP)

Senadores brasileiros estão pedindo uma investigação sobre uma das principais promotoras do país depois que ela arquivou várias acusações contra o presidente, Jair Bolsonaro , por seu manejo inadequado da pandemia de Covid-19.


Um inquérito condenável do Congresso havia recomendado que Bolsonaro fosse acusado de nove crimes, incluindo crimes contra a humanidade e charlatanismo, por promover falsos tratamentos como hidroxicloroquina e ivermectina.


O presidente de extrema-direita constantemente minimizou a gravidade da pandemia, inicialmente chamando-a de “um pouco de gripe” e dizendo aos brasileiros para se tornarem homens porque “todos vamos morrer de qualquer maneira”.


Bolsonaro ignorou os primeiros e-mails da Pfizer oferecendo a venda de vacinas ao Brasil e demorou a aceitar uma alternativa brasileira, perdendo tempo que custou dezenas de milhares de vidas. Ele também pediu aos brasileiros que não fiquem em casa e não usem máscaras e seu governo lançou uma campanha intitulada 'O Brasil não pode parar'.


Mais pessoas morreram de Covid-19 no Brasil do que em qualquer outro país, exceto os EUA. O atual número de mortos no país sul-americano é de 676.964, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).


Um inquérito do Congresso sobre o manejo da pandemia por Bolsonaro terminou em outubro passado com recomendações de que o presidente enfrentasse uma série de acusações, mas uma promotora sênior, Lindôra Araujo, arquivou cinco das nove acusações, levando parlamentares seniores a solicitar que sua conduta fosse examinada.


Sete senadores também pediram ao Supremo Tribunal que ignore sua decisão, pois prometeram não deixar Bolsonaro e seus apoiadores fora do gancho. “Aqueles que quiserem paralisar as investigações dos crimes investigados pela CPI Covid não terão descanso”, disse Humberto Costa, um dos sete senadores.


O gabinete do procurador-chefe disse que as provas apresentadas inicialmente ao inquérito Covid “não continham as provas individuais adequadas” necessárias para cumprir os critérios legais para acusações criminais. Também disse que faltavam documentos relevantes e que faltavam evidências para conectar os supostos crimes.


Chamou a decisão de Araujo estritamente “legal”, enquanto classifica o inquérito Covid do ano passado como “político”.


Outras acusações contra Bolsonaro, seus filhos e mais de 60 outros ainda estão pendentes e não se sabe quando será tomada uma decisão sobre se prosseguir com essas acusações. Aconteça o que acontecer, a decisão de terça-feira dá a Bolsonaro um impulso oportuno, quando ele lançou formalmente sua campanha de reeleição.


Araujo, a segunda no gabinete do procurador-geral, foi notícia no ano passado quando rejeitou pedidos para acusar Bolsonaro por se recusar a usar máscara, dizendo que sua eficácia era questionável. O momento de sua decisão aumentou as suspeitas de que foi politicamente motivada.


“Essa proteção às vésperas das eleições não surpreende ninguém”, tuitou o senador Renan Calheiros.

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